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Nossa amizade foi curta e intensa assim como esse texto.

13 de junho de 2026

Uma notificação nova. Uma mensagem curta. Inúmeros sentimentos que são facilmente explicados por qualquer psicóloga. A gente não necessariamente se acostuma com as pessoas indo embora da nossa vida, especialmente quando elas tiveram um significado emocional muito grande. No entanto, tenho percebido que isso é uma das coisas mais naturais do mundo e que acaba acontecendo independentemente da fase que estamos vivendo. Não é sobre você acertar o tempo todo ou esperar que o outro seja perfeito, pois relacionamentos de forma geral são imperfeitos e a gente aprende a lidar com algumas diferenças conforme os vínculos vão se tornando profundos.


Cultivei a raiva dentro de mim ao mesmo tempo que a culpa se fazia presente. Compartilhei meu ponto de vista por meio de ângulos diferentes a cada sessão com a minha antiga psicóloga. Chorei e realmente acreditei que o problema estava dentro de mim. Carreguei um peso nas costas e senti que talvez ele não fosse suficiente, considerando um histórico que deveria mais me servir como experiência do que me assombrar. Temos essa tendência de vez em quando, dependendo dos vínculos que temos no passado e de como a nossa autopercepção foi construída. Nem sempre existe um vilão e um mocinho, uma pessoa totalmente boa e uma pessoa totalmente ruim, um certo e um errado. Na maioria das vezes, existem imperfeições e erros que não são contornáveis, porque talvez eles possam bater no limite do outro.


É basicamente isso que aconteceu com a nossa amizade. Nenhuma de nós tinha razão, assim como nenhuma de nós deveria ter culpa. Por mais que a gente estivesse presente na vida a uma da outra, será mesmo que o vínculo construído não era frágil? Compartilhávamos os mesmos gostos musicais e talvez achamos que isso se estendia para a compreensão de quando uma de nós decidia contar algo que nos machucava. Juramos segredo diante de tudo que compartilhamos, todavia jogamos exuma na cara da outra e até mesmo usamos para desabafar com outras pessoas. Tínhamos uma consideração significativa uma pela outra, porém descrevemos a outra como uma das piores pessoas que passou pela nossa vida. São sentimentos que realmente influenciaram? São limites que não foram impostos? Eram um relacionamento que não necessariamente seria compatível e cultivado através da felicidade?


Quando recebo uma mensagem sua hoje, percebo o quão irrelevante você acabou se tornando. Se antes eu demorava cinco minutos para responder, agora eu demoro três dias e ainda me pergunto duas vezes se quero render um determinado assunto. No momento que você compartilha uma coisa sobre a sua vida, fico me questionando se não existem coisas melhores que requerem a minha atenção. Eu não quero saber sobre os seus silicone. Eu não quero saber sobre a sua mudança de casa. Eu não quero saber sobre o seu novo emprego. O que eu quero saber é o que te motiva a continuar me mandando mensagem sendo que essa amizade deixou de existir há quase dois anos. Não somos parecidas, não somos compatíveis, não somos companheiras. Sendo assim, não nos vejo sendo amigas. Somos apenas duas pessoas que talvez sentem falta uma da outra em sua versão passada.


Não vou voltar a ser quem eu era. Não vou me abrir novamente com você. Não vou te contar as coisas que acontecem na minha vida. Você ficou no passado, assim como todo o carinho que eu tinha por você. Não é questão de rancor, nem questão de antipatia ou até mesmo de ranço. Provavelmente é minha autodefesa e caso não seja, também não sou eu que vou tentar entender e correr atrás dessa resposta. Independentemente do quanto você queira retomar essa relação e demonstre o seu arrependimento por conta das palavras direcionadas a mim, isso não vai dar certo. Nós duas sabemos que não temos como construir um relacionamento saudável. Nós duas entendemos que as pessoas erram e que tudo aconteceu diante de uma fragilidade emocional de ambas as partes. Nós duas sabemos que somos pessoas melhores agora e que recomeços fazem parte da vida. Entretanto, nós duas também sabemos que existe uma linha muito tênue entre o “somos amigas de novo” e o “não quero mais ver a sua cara”.


Sabendo disso e tendo uma consciência de como as coisas me afetaram, eu te agradeço por tudo e te perdoo por mais que não tenha sido fácil. Tivemos uma amizade linda enquanto ela durou. Quando você subir no altar, eu não serei uma das suas madrinhas igual você tanto me pediu. Quando eu subir no palco, você não será uma das minhas teles espectadoras igual eu tanto imaginei. Quando uma de nós tiver uma grande conquista, não será a outra que estará vibrando como se a conquista fosse própria. A partir daquela primeira semana de dezembro daquele ano, os nossos caminhos se tornaram outros e consequentemente se separaram. As nossas antigas versões podem ter achado isso uma pena, mas quem somos hoje acham alívio. Não era para ser no passado, não é para ser hoje e nem será para ser amanhã. É triste e trágico, só que também é maduro e bonito.


É assim que escrevo sobre você pela última vez e consequentemente te deixo ir. Espero que você possa fazer isso por mim à sua maneira em algum momento. Sem justificativas, sem tentativas e sem qualquer tipo de sentimento que nos remeta a algo que um dia fomos. Nossa amizade foi enterrada e o respeito pelo que tivemos é o que prevalece desde então.


Com carinho,

EEGR.

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